Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida

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Peregrinação quaresmal

Peregrinação quaresmal - pelo Padre Ari Antônio dos Reis.

Temos a oportunidade de vivenciarmos a peregrinação quaresmal seguindo a espiritualidade proposta pelos domingos da quaresma neste ano litúrgico, “Ano C”.

Jesus e as tentações no deserto
1º Domingo da Quaresma: Jesus e as tentações no deserto Crédito Imagem: Google Imagens (2025)

 Assim, no primeiro domingo da quaresma, rezamos a ida de Jesus ao deserto para rezar e o enfrentamento das tentações (cf. Lc 4,1-13), a possibilidade de um outro caminho que não o aliançado pelo Pai que afirmara no momento do batismo que ele realizaria a sua vontade (Mt 3,17). Jesus rechaçou as tentações e reafirmou a sua fidelidade com três afirmações: não só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus; adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás; não tentarás o Senhor teu Deus.

No segundo domingo da quaresma refletimos o Evangelho da Transfiguração (Lc 9,28b-36). No meio da peregrinação missionária frente às crises internas com o grupo de discípulos e pressões internas vindas dos adversários, Jesus subiu a montanha para rezar. Destaco que o ato de rezar foi significativo. Não significa fugir do mundo, das tensões ou dificuldades, mas colocá-las diante de Deus, permitindo que sejam lidas sob a luz do seu projeto. Assim Jesus o fez. E lá na montanha, após a transfiguração, ouviu-se a confirmação vinda de Deus Pai que ali estava o seu filho e os discípulos deveriam escutá-lo, descer a montanha e continuar a missão com Ele.

Transfiguração de Jesus
2º Domingo da Quaresma: Transfiguração de Jesus. Crédito Imagem: https://pixabay.com/
Parábola da figueira estéril
3º Domingo da Quaresma: Parábola da Figueira estéril. Crédito Imagem: https://br.pinterest.com/pin/777222848178001035/

Se dos dois primeiros domingos da quaresma olhamos para Jesus, no terceiro domingo, iluminados pelo Evangelho de Lucas, olhamos para nós cristãos, na individualidade dos compromissos da fé, e para Deus Pai, aquele que nos ama e tem paciência conosco (Lc 13,1-9).  O olhar para nós, cristãos, apresenta o convite explícito à conversão, marcante na peregrinação da quaresma, “convertei-vos”. O olhar para Deus acentua o propósito de acolhermos a sua paciência como impulso a nossa conversão. Ele é paciente e espera a nossa conversão, para que possamos produzir frutos, como aquele agricultor que vai adubar a figueira até que ela dê fruto.

Neste quarto domingo da quaresma somos convidados a olhar para Deus acolhendo a sua misericórdia (Lc 15, 1-3.11-32). Normalmente o texto é denominado “Filho pródigo”. Lendo-o com mais profundidade vê-se que Jesus coloca como personagem principal o Pai. Ele deve ser objeto da nossa atenção.

 Ao falar do Pai misericordioso Jesus está respondendo às críticas dos mestres de lei e dos fariseus pelo fato de se aproximar de publicanos e gente considerada pecadora. Em resposta às críticas ele explicita o sentido da sua missão, revelar o rosto misericordioso do Pai. E faz isso contando três parábolas que compõem o capítulo 15 do evangelho de Lucas, a parábola da ovelha perdida, da moeda perdida e do pai misericordioso.

Parábola do filho pródigo ou do pai misericordioso
4º Domingo da Quaresma: Parábola do Filho Pródigo ou do Pai Misericordioso. Crédito Imagem: https://catequistasbrasil.com.br/qual-e-o-significado-da-parabola-do-filho-prodigo/

 Segundo a parábola do Pai Misericordioso, um filho pediu a sua parte da herança e foi embora, abandonando sua família e gastando tudo o que tinha em uma vida desenfreada. Na saída de casa e abandono do pai imagina estar encontrando a liberdade. Aquela vida “sem regras” lhe satisfazia. Era tudo o que queria.  Com a vinda de uma grande fome na região o jovem começou a passar necessidade ao ponto de disputar comida com porcos em um emprego que arrumou. A vida que sonhara longe do pai foi um verdadeiro fracasso. Acabou pagando o preço do rompimento (pecado). Deixou de ser filho para ser escravo. Trocou a vida de abundância permanente para uma vida de carência e humilhações porque os porcos, com os quais disputava comida eram animais impuros para os judeus.

Deu-se conta da situação que vivia e arrependeu-se. Decidiu voltar para casa e pedir perdão ao seu pai. Não queria o título de filho, mas apenas um emprego e algo para comer. Todavia, o pai quando viu o filho retornando o cobriu de beijos e mandou fazer uma festa. Para ele o importante era ter o filho de volta.

 Ao contar a parábola, Jesus revela o rosto misericordioso de Deus. Afirma também que Ele quer todos próximos dele. Em alguns momentos vai buscar os considerados “perdidos” como é o afirma nas parábolas da ovelha da moeda. Em outros espera pacientemente o retorno para acolher, cuidar e amparar como é o caso do jovem que partiu imaginando encontrar a felicidade longe de casa.  

Ele é pura misericórdia e espera seus filhos e filhas para acolher com amor, curar as feridas e amparar. Ele está disposto a reconciliação.

Jesus, no quarto domingo da quaresma convida-nos a olharmos para o Pai e compreendermos que Ele é misericórdia. A quaresma, tempo de conversão é também tempo de acolhermos esta misericórdia e a vivermos na nossa vida.

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